quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Capitulo 2

Como já era de se esperar, não consegui pregar o olho a noite toda, até que quando eram umas oito horas da manhã eu consegui entrar em um sono profundo, que nem escutei o meu celular tocando quando o futuro papai estava me ligando, só vi as ligações perdidas depois da uma hora da tarde que foi o horário que eu acordei.

Por um momento eu pensei em não retornar a ligação, como eu sempre faço, mais hoje, como era um assunto mais complicado, tomei coragem e retornei a ligação.

- Vi?

- Oi Vi, bom dia. – Ele está muito bem informado sobre os meus horários para o meu gosto, pensei por um momento.

- Bom dia. – Respondi com um tom meio de ironia.

- E ai alguma novidade? – Ele perguntou morrendo de vontade que eu falasse “ Sim Vi, desceu pra mim, não corremos mais o risco de perder a nossa juventude cuidando de uma criança”.

- Não Vi, acabei de acordar e não estou com cólica ou nada que seja parecido..

- Ah

Ouve um silencio no telefone, meio que os dois morrendo de medo e desespero ao mesmo tempo.

- E ai, vamos fazer o teste agora a tarde? – perguntei meio atrevida.

- Ai Vi, acho melhor você fazer o teste de farmácia de novo, se der positivo ai vemos o que vamos fazer.

- Tudo bem então, vou fazer o teste e depois te falo qual foi o resultado.

Desliguei o telefone sem se quer saber qual iria ser a resposta do pobre coitado do outro lado da linha. Mas não queria muito saber o que era, sabia que se eu estivesse realmente grávida ele iria me apoiar a fazer qualquer coisa com o nosso filho!

Levantei da cama, engoli alguma coisa de café da manha, que estava mais para almoço do que café da manha em si.

Fui para o computador, passei alguns minutos escrevendo em um micro blog ( que não posso dizer o nome, ou então vou ter que pagar direitos autorais para o dono do site ) na internet e logo depois tomei um banho e fui para a casa da minha tia ajudá-la a fazer alguns doces para uma entrega no dia seguinte.

Nem se quer cogitei a idéia de passar em alguma farmácia para comprar um exame. Tenho mania de sair correndo de minhas preocupações, na verdade dos meus deveres né? Mas tinha desencanado um pouco da idéia de que eu estava grávida mesmo.

Quando cheguei ah casa de minha tia, logo notei que eu estava com um pouco de cólica, no inicio até que ela foi meio boazinha e foi de leve, mais no final da tarde quando estava saindo de lá para ir para ir pra casa me preparar para ir pra aula, ela estava mais atacadíssima do que nunca, mal conseguia andar para lhe ser bem sincera.

Quando entrei no carro senti um corrimento meio quente descendo, na hora pensei.. AMÉM, NÃO VOU SER MAIS MAMÃE, DEUS OUVIU MINHAS PRECES!!!

Ao chegar em casa, fui para o banho e quando eu fui ver, realmente tinha decido, me animei muito quando vi o acontecido, mais pensei por um segundo, e se isso for só um sangramento do meu bebe?

Decidi esperar mais um pouco antes de avisar o Victor de que tinha descido pra mim.

Não, não.

Não é isso que você esta pensando, não quero fazer nenhum tipo de chantagem emocional com o garoto, como por exemplo.

“ Colega me passa a grana, porque eu vou fazer o exame de sangue mesmo.”

E no fim só pegar o dinheiro do pobre coitado.

( Ou seria, pobre viado? )

Ah não sei, enfim..

Eu fizera isso apenas para minha própria garantia de que realmente tinha descido, que não seria um sinal de vida que pedia socorro dentro de mim, como “ pare de fumar sua maluca, não está vendo que você está me prejudicando?”

Tomei meu banho, passei meu hidratante para pele extra seca, como no caso a minha, e fui para aula toda animada.

Pelo fato de que minha mãe não goste que eu fume e eu a respeitar diante disso, sempre vou para aula meia hora antes, e fico fumando alguns cigarros ali na frente, normalmente é apenas um que eu fumo antes de entrar para aula, mais hoje, para comemorar a minha “ex gravidez” eu fumei logo três.

O sinal tocou, entrei para a aula, e logo me avisaram que teríamos prova de sociologia.

Toda a minha alegria foi para o lixo naquele exato momento, eu sei que filosofo muito sobre a vida, mais no meu antigo colégio que por sinal era um dos melhores da cidade, particular, e não esse lixo onde eu estava estudando, com um ensino mais podre ainda, não existia prova de filosofia e sociologia, pois simplesmente nosso professor era super ativo e sempre fazia algumas manobras para não nos dar prova ou até mesmo fazer chamada, era simplesmente presença pra todo mundo e sete de media no boletim de todos, e eu com todo esse meu conhecimento nessa área, adorava isso, e agora PROVA?

Pensei comigo por um instante e mais uma vez “ Aonde eu fora me meter?! Que saudades da minha antiga escola.”

Mas, fui para aula, dei muitas risadas com o Ricardo, ou melhor Marcela né?!

( Marcela era o nome para os íntimos de Ricardo, para quem ainda não entendeu, Ricardo era um gay que sentava ao meu lado nas aulas, e que usava o nome de Marcela para quando ele virasse mulher mesmo, se é que vocês me entendem).

O único motivo para eu ir para aquela escola mesmo, era ele.

Ele me fazia tão bem.

Me passava uma energia tão positiva em todos os aspectos.

Que eu simplesmente não tenho coragem de dizer que eu odeio aquele lugar, mais só por causa dele.

Mais também não posso dizer que Carol, Bruna, Paula, Tatiana e o resto da classe não me fizessem feliz em alguns momentos, eles sempre me apoiaram desde que entrei na escola. Sem falar nos brotos né? Os Pãezinhos como diria a minha avó, Thales, Braço e Kaká. Eles eram os únicos mais bonitos da sala, ou talvez os mais bonitos da escola, nunca vi lugar para reunir gente mais feia como lá, tem um menino que eu acho que saiu do fundo do baú do capeta, porque meu deus, me da medo apenas de olhar para ele, ainda mais com aquelas calças coloridas que ele usa, com aquele pirc no lábio e aquele rosto cheio de acne que me apavora.

Será que ele nunca ouviu dizer em remédios que curam aquilo? E ainda por cima ele tem uma namorada, que também deve ter saído do mesmo lugar que ele.

Ok, ok, vocês devem estar pensando que eu sou fresca demais e que critico muito a vida dos outros, mais na verdade eu apenas estou comentando o que acontece comigo e na vida das pessoas que convivem comigo no dia a dia.

Mas hoje talvez fora o meu dia de sorte, a nuvenzinha negra que estava rodeando minha cabeça parece ter desaparecido de uma hora para a outra, me deixando em paz para viver a vida como ela tinha de ser e não cheia de pedras no meio do caminho como estava sendo nos últimos dias.

Após ter feito a prova que no mínimo eu me embaralhei toda para responder as questões sobre qual era a diferença entre trabalho e serviço no olhar sociológico da coisa, sai do fundão e sentei ao lado de Kaká, pois Ricardo tinha ido embora para ver um premio de musica que passava na TV (que por sinal eu também estava louca para ver) e fiquei sentada ali, tentando prestar atenção na aula de inglês, porque aquele povo do fundo não calava a boca para eu copiar a matéria que o professor ditava para copiar na apostila. Kaká pelo o que percebi não estava muito interessado na aula, ficou rabiscando o seu caderno, e quando eu menos esperava ele veio e escreveu na minha carteira.

- Oi

Olhei bem para o seu rosto bonito por alguns segundos e respondi com gentileza, mais achando tudo aquilo uma tolice, será que ele não sabia falar? Pra que escrever na mesa? Pouca vergonha, seu porco!

- Oi – respondi.

- XAU.

Novamente olhei bem para ele com um aspecto meio raivoso e falei.

- Você é louco?

- Claro que não, só estava tentando puxar assunto. – disse ele com um tom de voz assustado com o meu atrevimento.

- Ah foi o que me pareceu durante alguns minutos, mais relaxa, vamos conversar e não escrever na carteira ok?

- Tudo bem, vamos conversar então.

Nesse momento meu professor deu um surto na sala, pois nenhum dos alunos estavam parados quietos fazendo a lição que ele tanto se esforçava para passar e claro, acabou com a conversa minha de Kaká no seu primeiro grito dentro da sala.

E novamente quando eu voltei a prestar atenção na deliciosa aula de inglês vi uma mãozinha na minha carteira escrevendo, e claro que não poderia ser de outra pessoa a não de Kaká.

- Me add?

Pensei comigo, adicionar onde? No programa de mensagem instantânea?!

( novamente não vou dizer o nome porque não quero pagar direitos autorais. )

- Me passa o seu e-mail – respondi, pensando será que ele esta interessado? Mais não fiz cara de quem estava gostando ou deixando de gostar, apenas fiquei olhando ele escrever em minha apostila de inglês seu e-mail.

Percebi que ele teve uma certa dificuldade em escrever seu e-mail, até pegou borracha para apagar algo que ele tinha escrito de muito errado, na certa ele não tinha letra muito bonita e estava fazendo seu maximo para que sua letra saísse pelo menos um pouco bonita.

Quando ele devolveu minha apostila, olhei bem para seu e-mail para verificar se tinha mesmo entendido a letra do pobre garoto e confirmei com um aceno.

- Pode deixar – disse com um tom de voz meio rouco, pois não podia falar muito alto naquele momento por conta do professor.

Ele me deu um sorrisinho e logo em seguida a sala entrou em um fuzuê danado novamente e Kaká me olhou e perguntou:

- Faz quanto tempo que você fuma?

- Vai fazer 4 anos. – disse pra ele meio assustada, o que ele tava querendo com isso?

- Ah e sua família aceita numa boa?

Expliquei toda a situação para ele e ele pareceu ter entendido mais ou menos o que eu tinha lhe dito, tocou o sinal e logo em seguida ele falou.

- To indo nessa, até amanha.

- Até. – respondi, pensando e andando a caminho do portão da saída. - O que ele vem fazer na escola amanha? É sexta a religião não permite ninguém ir a escola de sexta, nem os professores vem, principalmente o de Português, que de três aulas por semanas se ele vir uma é muito.

Sai da escola, entrei no carro, estava lá.. Lorenzo e sua nova namorada, cumprimentei Barbara e seguimos a caminho de casa conversando sobre alguma coisa que eu não lembro mais o que era, no mínimo algo não muito interessante.

Na metade do caminho...

- Você não vai contar pra ela Lô? – diz Barbara.

- Contar o que? – respondi interrompendo o que meu irmão ia dizer e já imaginando que não seria coisa muito boa.

- Ah é coisa da Barbara. – Lorenzo respondeu meio me ignorando.

- Conte logo, ela vai chegar na sua casa e vai começar a berrar quando descobrir,vai acordar seu pai!! – disse Barbara.

Barbara e Gustavo começaram em uma discussão de quando iam me contar o que estava acontecendo, e quando percebi que isso iria longe demais, dei o meu primeiro berro antes mesmo de chegar em casa.

- Alguém aqui pode me dizer o que está acontecendo?

Nisso Lorenzo me tira uma sacola que estava escondida nos pés de Barbara e me da, como se fosse um presente.

- Presente, pra mim? – perguntei meio confusa.

- Não, pra nona, abre logo e não faça escândalos. – disse Lorenzo

Podia ver estampado nos olhos de Barbara que eu iria gostar do presente que meu querido irmão mais novo estava me dando, já seria o segundo que me dera desde quando começou a namorar Barbara, e o melhor em menos de uma semana. O primeiro presente era um estojo de maquiagem, com cores intensas, maravilhosas.

Quando abri o pacote, levei um susto quando vi que era uma bolsa da Victor Hugo, e lógico, comecei a berrar.

- EU NÃÃÃÃO ACREDITO QUE VOCÊ COMPROU A BOLSA PRA MIM, LORENZO EU TE AMO. VOCÊ É MEU IRMÃO PREFERIDO, NOSSA, ESTOU DELIRANDO NÃO É POSSIVEL.

Sempre tive essa coisa de berrar quando estou feliz, desde criançinha, mas posso perceber que é uma coisa de família, pois meus irmãos e meu pai também fazem a mesma coisa quando estão felizes com algo.

- Gostou mesmo? – disse Lorenzo até um pouco encantado com a minha alegria.

- Se eu gostei, AMEI, juro, nem mamãe me dera um presente tão lindo e tão cara como esse, definitivamente você é louco, quanto você pagou?

- Estou dando, não me pergunte o preço, só sei que vai custar muito caro – disse Lorenzo com um olhar de que realmente iria me custar caro, no mínimo iria vir um trilhão de chantagens pra cima de mim e até mesmo quando estivermos com oitenta anos de idade ele lembraria e jogaria isso na minha cara para ganhar algo em troca.

Mas tudo bem, não vou ligar de receber algumas ordens, vai ser por uma boa causa, afinal é uma bolsa da Victor Hugo!!!

Ops, sim eu disse o nome da marca da bolsa, sei que não posso, que irei pagar direitos autorais para a marca, mas.. Não tem como descrever uma bolsa dessas sem dizer o nome, tem?

( Apesar que a marca é conhecida e as bolsas são muito caras, e os direitos autorais dela devem custar uma fortuna, então é muito mais fácil você se tornar uma super amiga minha, já que contei metade de minha vida para você aqui e não contar isso para ninguém ok? Garanto que se todas que lerem isso e concordarem com o pacto, os responsáveis pela marca nem notaram que existe alguma coisa sobre eles nesse livro.)

Quando cheguei em casa, liguei a TV da cozinha dos fundos e já que estava todo mundo dormindo menos Lorenzo e Barbara, decidi acender mais um cigarro, enquanto assistia o premio de musica que estava passando, me irritei em alguns minutos por estar assistindo aquilo, lógico porque bandinhas de quinta estavam ganhando prêmios que deveriam ser de bandas muito mais decentes do que eles, que andam com calças coloridas e roupas super estranhas, que cantam musicas idiotas ao invés de Capital Inicial, Skank entre outras bandas maravilhosas que estavam participando da premiação. E isso tudo é culpa das crianças que são mais idiotas que as pessoas da própria banda e que não fazem nada da vida o dia todo alem de ficar na internet votando o dia todo naqueles filhos da puta que mais parecem com ETs do que com pessoas de verdade.

Falando nisso, apesar de ter chego atrasada para assistir o premio inteiro por conta da escola, senti muita falta do Marcelo D2 que é um super cantor de um estilo de musica que só ele sabe fazer, e não adianta ninguém querer copiar. Essa emissora Filha da Puta pelo jeito não colocou ele pra participar do premio em nenhuma das categorias. E os ETs colocaram em cinco!

Fico pensando aonde esse mundo vai chegar com essas coisas que se mostram na TV, se algum dia o Rafael meu sobrinho ou então algum outro sobrinho, e que seja meus filhos mesmo, estiver ouvindo alguma baboseira dessas, juro que já chego na voadora, pessoas que fazem parte da minha família tem que ouvir musica decente e pretendo ensinar eles o que é bom desde cedo.

Não tenho muita oportunidade de fazer isso com Rafael, pois não vejo ele sempre, e ele vai pra escolinha na parte da tarde, o que me preocupa mais ainda. É na escola que você aprende as piores coisas apesar de aprender coisas boas, sejamos bem francos.. também aprendemos coisas terríveis.

Comigo foi assim, provavelmente com você também e lógico com os meus sobrinhos e filhos não vai ser diferente, até pior.

Barbara foi embora, Lorenzo foi dormir e eu vim escrever um pouco pra vocês.

Que horas são agora?

3:05 da madrugada e não estou com um pingo de sono, mas posso lhe garantir de que se eu diminuir um pouco a luz (não durmo de luz apagada) virar para o lado e achar a posição certa para dormir, garanto-lhe não me dou um minuto para estar dormindo.

E é exatamente isso que eu vou fazer, dormir, dessa vez sem estar quase enlouquecendo pelo fato de achar que estou grávida de um gay!

Ou seja minha noite de sono promete ser ótima!!!

Beijos, até amanha!!

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